Resenha: "O Presente dos Magos", de O. Henry

Título: "O Presente dos Magos" ("The Gift of Magi")
Autor: O. Henry (com ilustrações de Odilon Moraes)
Editora: Cosac Naify | Gênero: Infanto-juvenil


Sinopse: Recolhido em livro em 1906, é um dos contos mais populares da língua inglesa: não há quem não se emocione com a história desse jovem casal apaixonado, que entrelaça amor e pobreza, destino e acaso na Nova York do começo do século XX. E as belas ilustrações de Odilon Moraes transportam sutilmente o leitor para dentro do apartamento de Della e Jim, palco de quase todos os acontecimentos e coração dessa história de Natal.

Trecho: "Um dólar e oitenta e sete centavos. Era tudo. Sendo que sessenta centavos eram em moedinhas de um. Moedas poupadas, uma ou duas de cada vez, pechinchadas com o homem do armazém, com o verdureiro e com o açougueiro, a ponto de deixá-la ruborizada diante da acusação de avareza sempre implícita nesse tipo de negociação. Della contou as moedas três vezes. Um dólar e oitenta e sete centavos. E o dia seguinte seria Natal."

Ilustração de Odilon Moraes
 Resenha: Este livro não foi comprado pra mim. Tive um encontro com uma grande amiga que também é artista plástica e vimos este livro na seção de infantis de uma das filiais de uma grande rede de livrarias. Ilustrações belíssimas em aquarela, meios tons maravilhosos que chamaram a atenção de ambos instantaneamente. Resolvi presenteá-la com um exemplar. Comovida, ela só aceitou se pudesse me emprestar posteriormente para ler. E esse dia chegou...

Como eu ainda não tinha terminado de ler alguns dos livros que preciso para fazer resenhas, resolvi pegar este por ser menos volumoso em número de páginas e o feriado não passar em branco. Foi uma ótima ideia. Eu não conhecia nem o autor e muito menos o artista plástico que ilustrou a versão nacional. Mas me encantei com os trabalhos aqui inseridos.
Ilustração de Odilon Moraes
Quem nunca esteve tão sem dinheiro que nunca se afligiu com a hipótese de não poder dar um presente à pessoa amada? Só quem nunca amou. Mas quem já passou por essa situação sabe como é torturante ver que todos estão felizes e você só quer demonstrar com um bem material o quanto aquela pessoa é importante. Não se trata de um suborno sentimental. é aquele esforço para comprar o presente "perfeito", ver a pessoa presenteada com brilho nos olhos, que vale mais do que um "muito obrigado".

Todos sabemos que o que se passa no coração e mente do ser humano é muito maior do que um mero presente de Natal. Mas saber das preferências de quem amamos e demonstrar isso fisicamente é uma arte. E não ter dinheiro pra isso é deveras frustrante. O texto de O. Henry brinca justamente com essa tradição natalina de presentear. Sabemos - mas quase nunca lembramos de fato - que, conta-se, quem iniciou este costume foram os Três Reis Magos (daí, o título da obra). E passamos a repetir o gesto não mais em memória deste ato mas sim como uma obrigação de fim de ano - ainda que não o façamos neste intuito.

Della tem pouco dinheiro para comprar um presente a seu esposo. Eles são jovens e moram de aluguel. Terão um jantar humilde mas ela queria lhe fazer uma surpresa. Mal sabia ela que seu marido também pensava igual. E isso torna o texto tão rico pois vemos, à princípio, apenas o ponto de vista da situação dela. Quando Jim aparece na trama, tudo muda. É o ponto de virada.

Este é um daqueles livros que não são bem compreendidos fora da época mencionada na história. Ou seja, é perfeito pra se ler no Natal. Faz completo sentido estar envolto na aura natalina - assim como em "Missa do Galo", de Machado de Assis - ao ler esta obra.

Embora não seja um texto difícil ou complicado, não acredito que nem crianças e nem adolescentes entenderão a contento do que se trata a obra. Não é infanto-juvenil. Ainda que não tenha situações proibitivas à leitura de menores de idade, como alcançarão o real significado da prosa de O. Henry se nunca passaram por isso?

Ilustração de Odilon Moraes
As belíssimas ilustrações em aquarela de Odilon Moraes são um grande achado. Tons e meio tons dão movimento às cenas que poderiam ser estáticas mas são igualmente poéticas e tristes, como era aquele tempo, agora bem distante.

Recomendadíssimo.  Principalmente hoje em dia em que o verdadeiro amor é subvalorizado e a troca de presentes tornou-se um estranho hábito que perdeu seu significado inicial. Nós nos bastamos e é isso que verdadeiramente importa em qualquer ocasião.

Kal J. Moon só quer um Natal Branco. Mesmo que em maio...

(Agradecimentos especiais a Roberta Tsukino, a tal amiga citada no início desta resenha e que foi presenteada com este livro, pelas explicações por telefone sobre o que é aquarela e todos os seus efeitos na pintura. Kal não entendeu nada mas agradece mesmo assim)


Sobre os autores
   
O. Henry, escritor

O. Henry, pseudônimo de William Sidney Porter (1862-1910), nasceu na Carolina do Norte (EUA), ficou órfão muito cedo e exerceu várias profissões para ganhar a vida: farmacêutico, peão de rancho, jornalista e contador. Acusado de falsear os registros do banco em que trabalhava, fugiu para a América Central, de onde só voltou para assistir a esposa no leito de morte. entregou-se à polícia e foi na prisão que começou a escrever a sério: seu pseudônimo, aliás, foi tirado do nome de um dos guardas da penitenciária. Nos seus últimos anos de vida, em Nova York, publicou praticamente um conto por semana, tornando-se um dos autores mais populares dos Estados Unidos.
Odilon Moraes, ilustrador

                                       

"Nasci e vivo em São Paulo embora tenha passado a infância e adolescência no interior. Cursei arquitetura mas antes de me formar já trabalhava com ilustração de livros. Ao invés de arquiteto, virei ilustrador. Fiz mias de 60 livros ilustrados e até me arrisquei a escrever e listrar 'A Princesinha Medrosa' e 'Pedro e Lua'." (Odilon Moraes) 



Trilha Sonora: "White Christmas", na voz de Elvis Presley...

2 comentários :

  1. Oie!

    Realmente parece ser um belo romance,certamente seria um livro que eu gostaria de ler.Parabéns por mais uma grande revelação,ao menos para mim que não conhecia o livro e nem o autor.
    Tem post novo no blog,se puder passem lá para conhecer a nossa parceira Vanessa Sueroz.


    Bjos Fabi
    http://roubando-livros.blogspot.com

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  2. Oi, Fabi!!! Tb não conhecia nenhum dos dois (obra e autor) mas acho que a vida do autor daria um senhor filme estrelado por Tom Hanks! Passei rapidim no teu blog e até comentei, heheheh!!! Abração carioca!!! (KJM)

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