Gibi Review #04: "Vampiro Americano - Seleção Natural", de Scott Snyder & Sean Murphy

Capa da edição nacional
por Sean Murphy
Título: "Vampiro Americano - Seleção Natural"
Autores: Scott Snyder (roteiro), Sean Murphy (arte) & Dave Stewart (cores)
Ed. Panini | 116 páginas | R$ 17,90 | História em quadrinhos | Aventura
(Reúne as edições "American Vampire: Survival of the Fittest" de 1 a 5) | Desaconselhável para menores de 18 anos


Resumo bobo da história: A Segunda Guerra Mundial está a todo vapor! Numa Romênia ocupada por nazistas, os caçadores de vampiros Felicia Book e Cash McCogan atravessam as linhas inimigas em nome da organização Vassalos da Estrela da Manhã em busca da verdade sobre uma possível cura para o vampirismo. Mas o passado da dupla - assombrado por Skinner Sweet, o Vampiro Americano original - deixa a missão mais difícil do que eles jamais imaginaram!

Trecho: "- Balas de madeira. Ardem, né, Gil?
- HSSSSSSSSSSS!
- Meu Deus! Gil...
- Fique atrás de mim!
- Pensa que é só vir aqui e me matar, vadia? Sabe há quanto tempo estou neste mundo? (...) Vi impérios ruírem...
- Deixe isso pro seu obituário!"


Felícia Book é sinistra, aí...! 
(Arte de Sean Murphy)
Resenha: Cansados de vampiros românticos que desejam viver um amor "proibido" com humanas e brilham à luz do sol? Cansados de associar o termo "vampiro" a "sensível" ou "incompreendido"? Cansado de ler obras que detratam tudo aquilo que você sempre teve em mente sobre o que é um vampiro e como ele se comporta? Então, finalmente, ESTE é o seu refúgio, baby!

Criado em colaboração por ninguém menos que um dos mestres do horror moderno e fantasia Stephen King, junto do auxílio luxuoso das sujas ilustrações do brasileiro Rafael Albuquerque, "American Vampire" é uma história em quadrinhos diferente de tudo o que já se viu em termos de suspense, ação e personagens envolvendo o mito vampírico até agora, certo? Hmmm, nem tanto, pequeno padawan...

Embora tenha sido indicado a muitos prêmios, inclusive os cobiçados Eisner - tendo ganho alguns -, o título é um bom exemplo que busca nos clássicos de aventura do cinema e da boa Sessão da Tarde de nossas infâncias para oferecer entretenimento. É, isso mesmo. Essa palavra que parece ter sido esquecida por muitos criadores de quadrinhos ultimamente está novamente em voga aqui.

Mas este título aqui é de um arco diferente da revista mensal, mostrando uma trama paralela ao que é contado normalmente (cujo primeiro arco foi publicado mensamente na revista "Vertigo" e que está sendo relançado num encadernado este mês nas livrarias e gibiterias). Felicia Book e Cash McCogan vão à Romênia disfarçados de investidores americanos simpatizantes à causa nazista mas o intuito real é ver de perto se o cientista Dr. Erik Pavel criou mesmo a cura para o vampirismo. Só que não é somente uma aventura a la "Indiana Jones e a Última Cruzada". Boa parte dos nazistas no castelo onde estão acomodados são vampiros dos mais grotescos - sim, todos os vampiros aqui são horrendos a la Nosferatu.

Nossos protagonistas tem motivos de sobra pra se interessar por ter em mãos a tal "cura". Book teve seu pai mordido por Sweet Skinner, o primeiro Vampiro Americano, da época do Velho Oeste. Desde então, sua mãe o caça pois Book foi "modificada" por causa do que Sweet fez. É, corre sangue de vampiro em suas veias embora ela não seja exatamente uma. Isso concedeu-lhe uma agilidade fora do comum além de poder sentir o "cheiro" dos vampiros, que não devem se perfumar com uma lavanda qualquer...

Uma das capas originais
por Sean Murphy
McCogan teve seu filho pequeno transformado num monstro vampírico também por Sweet. Desde então, o menino está trancado numa jaula enquanto seu pai tenta buscar um jeito de reverter a situação. é de partir o coração vermos, no início da história, McCogan "alimentar" seu filho e depois pôr o quepe, assumindo sua "personalidade de batalha", monstrando um protagonista falível, com defeitos como todo ser humano.

"Mas, tio Kal, e a históóóóóóória? É boa???". Oh, sim, perdão. Já ia me esquecendo... A história me fez lembrar - e muito - um antigo especial do final dos anos 1990 chamado "Wildcats / X-Men - A Era de Ouro", escrito por Scott Lobdell e ilustrada por Travis Charest, onde Wolverine e Devota se envolvem em situação parecida. Não que isso seja um demérito. O ato de me lembrar outra história não quer dizer que esta seja cópia ou plágio daquela. As ideias são similares mas a convergência dos fatos e seu desenvolvimento são completamente diferentes. E também veio à memória um anime (desenho animado japonês) chamado "HellSing". Mas rapidamente porque "American Vampire" é superior...!

O roteiro de Scott Snyder (que acabou de ganhar o Stan Lee Award de melhor escritor) remete àquelas ideias do século vinte, onde nossos heróis, além de falíveis, são tão carismáticos que fazem a viagem valer a pena e os momentos de leitura fazem-nos esquecer de nossos problemas, como uma boa literatura deve ser, aliás. Sua história é contada de forma violenta, divertida, reflexiva, instigante e, mesmo sem conhecer profundamente a mitologia da revista mensal, tudo é alinhavado para que possa manter-nos entretidos até termos contato com ela.
                                                                   
Essa belíssima ilustração de uma das capas
mostra o que nos espera no interior da revista...
(por Sean Murphy)
Já as ilustrações de Sean Murphy é um deleite só! Ora com um traço caricatural - veja o nariz de Felicia em alguns quadros! -, ora com um traço acadêmico delicado, com uma noção de cenário extraordinária e um storytelling impecável, mostra porque é um dos mais competentes artistas do mercado. Já havia trabalhado com vários títulos como "Wildcats 3.0" e "Joe, O Bárbaro". E mostra que pode ser um dos grandes nomes da indústria num futuro próximo. Só espero que continue escolhendo bem os títulos em que for trabalhar...

Já as paletas de cores do sempre correto Dave Stewart (que já trabalhou em "Hellboy", "The Umbrella Academy", dentre outros) remetem justamente aos primórdios das histórias em quadrinhos, quando tudo estava ali em função do traço e da história, sem efeito especial, sem brilhos excessivos. Ele trouxe de volta a retícula - ! - um artifício que não é usado há tempos, mas que funciona melhor como textura do que muita solução utilizada por aí. Tudo, em relação à cor, foi colocada pra realçar o clima, seja numa simples cena onde a protagonista conversa com seu parceiro ou numa cena de ação na maior das adrenalinas.

Me senti vendo um ótimo filme de aventura no extinto "Festival de Férias", torcendo, gritando, rindo da cara dos vilões e sentindo pena do que acontece no final porque... Bem, o que acontece no final não é justo... Assim como a vida real.

Kal J. Moon não é vampiro, não brilha à luz do sol e não caça criatura alguma ao fim do dia mas faria tudo, tudo mesmo, exatamente igual se estivesse no lugar de McCogan, independente das consequências...

Trilha Sonora: "Sweet Dreams" (Marilyn Manson)




Sobre os autores



Scott Snyder

Scott Snyder, aos nove anos de idade, ouviu de um monitor de acampamento ao redor de uma fogueira contos escritos por Stephen King tirados de um livro chamado "Os Olhos do Dragão". Em 1998, graduou-se na Brown University, em Rhode Island, com especialização de criação de roteiros indo, em seguida, trabalhar como escritor na... Walt Disney World! Em 2002, publicou uma coletânea de contos chamada "Voodoo Heart", bastante elogiada pela crítica especializada e onde conseguiu contato com seu ídolo King, que, em 2007, escolheu dois contos do livro de Snyder para fazer parte da coletânea "The Best American Short Stories". Em 2010, foi chamado pra criar um novo título adulto para DC Comics e, claro, chamou King para colaborar no projeto. Daí, surgiu a vitoriosa parceria de "Vampiro Americano". 


Sean Murphy





Mesmo antes de completar o ensino médio, Sean Murphy já era aprendiz de uma artista da região onde morava (Nashua, New Hampshire) e de lá partiu para duas formações (no Massachussets College of Art e no Savannah College of Art and Design). Desenhou quadrinhos diversos como Star Wars and Noble Causes,  pela Dark Horse. Em 2005, chamou atenção pela arte da minissérie Batman/Scarecrow: Year One, publicada pela DC Comics. Só que atenção negativa: seu estilo sombrio foi considerado inadequado e assustador demais pro personagem (vai entender a cabeça dos críticos...). No mesmo ano, escreveu e desenhou a Off Road, pela Oni Press. Em 2008, foi o responsável pela arte de duas edições de Hellblazer (título norte-americano onde é publicado as histórias do personagem John Constantine, que virou um filme horrível com Keanu Reaves no papel principal), ambas escritas por Jason Aaron. Em 2010, ele trabalhou ao lado de Grant Morrison na minissérie Joe, O Bárbaro e foi anunciado como o capista de uma da décima-terceira edição da série Vampiro Americano e o responsável pela arte dessa edição que acabamos de resenhar.

6 comentários :

  1. Perestrelo22 maio, 2012

    Ele não teve foi o seu pai mordido, tanto que mostra em Vampiro Americano esta cena, e mostra que o pai dela e o Skinner era meio-irmãos, pois o pai dele adotou o Skinner quando este perdeu os pais.

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  2. Olá Kal!
    Eu realmente adoro as sua resenhas,além de ser muito bem escritas eu me divirto com elas por muitas vezes.Adorei a história,reúne dois temas que eu gosto,a segunda guerra e os vampiros.Quanto a trilha sonora,bem,sem comentários.
    Bjos Fabi
    http://roubando-livros.blogspot.com

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  3. Kal...amei a resenha muito boa mesmo!!! a Fabi disse tudo!!! Parabéns...bjins, Mac.

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  4. Fala, Perestrelo... Vou dar uma verificada na edição que li pois posso ter escrito errado mesmo... Qualquer coisa, retifico... Abração (KJM)

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  5. Oi, Fabi... Puxa, obrigado mesmo pelos elogios... Procure essa história que acredito que vá gostar muito... Já a trilha sonora, bem, eu tava desconfiado que ninguém ia gostar mas tem mesmo o climão da trama assustadora... Abração carioca!!! (KJM)

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  6. Oi, Perestrelo! Já acertei o review pois realmente foi o pai quem foi mordido... Como eu não havia lido o arco original, acabei me confundindo... Valeu pelo toque! (KJM)

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