Resenha: Quando os filmes adaptados são uma péssima propaganda do livro.

Sempre que assisto a um filme que foi adaptado de algum livro que eu já li, as comparações entre a obra adaptada e a original é quase instantânea. Na verdade, a comparação já começa antes, desde quando é anunciado o elenco do filme, passando pelos primeiros pôsteres lançados, rumores sobre o roteiro e etc... 

Quando o trailer começa a ser veiculado, então, se a coisa não estiver de acordo com o que imaginamos, mesmo que seja um detalhe mínimo, já começa aquele sentimento do tipo “Vou assistir só pra falar mal”.

Pois é, como este sentimento tem se tornado cada vez mais freqüente, afinal, Hollywood vem optando, ultimamente, em produzir muitos filmes com roteiro adaptado (seja de livros, quadrinhos, desenhos animados ou séries antigas), cheguei à conclusão de que nem sempre o filme adaptado, é uma boa propaganda para o livro, para os quadrinhos ou também para os “Boxes” de DVD´s de séries antigas, que o originou. Em tempos de franquias, de mega-divulgação global, de licenciamentos nervosos e tudo o mais, isto pode ser um risco para o estúdio e para as empresas envolvidas.

Vejamos, por exemplo, o caso da franquia Harry Potter. Neste caso, os filmes alavancaram as vendas dos livros, criando um fenômeno. Sem os filmes, a exposição e todo o mimim, bububu, em torno dos filmes os livros possivelmente não teriam alcançado o sucesso de vendas que teve (e continua tendo). O mesmo aconteceu quando do lançamento de “O Senhor dos Anéis”. O livro, obra prima de J.R.R. Tolkien, considerado por muitos como o “livro do Século XX”, que voltou ao topo dos mais vendidos cinqüenta anos após o seu lançamento. Nicholas Sparks é outro autor que, se tornou mais conhecido no Brasil, após o sucesso de filmes como “Querido John”, “A Última Música” entre outros que foram adaptados de seus textos.
Porém, existem filmes que realmente são uma propaganda negativa à obra original. Dois exemplos, de um passado recente: “Eragon”(foi cancelado), “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” (que ainda não foi, mas será, aposto). Ambas as obras passaram despercebidas e, em quase nada, contribuíram para a divulgação de suas respectivas franquias.

“Ah!, Mas existe um fandom, blá, blá, blá...”, você dirá. Sim, responderei. Existe! Mas o fã não conta. O fã já vai consumir os produtos relacionados à sua série ou filme favorito. O importante é que o filme transcenda ao fandom e atinja o consumidor comum. O dia em que um estúdio ou empresa decidir criar um produto exclusivamente para os fãs de determinada franquia ele pode decretar falência. Os estúdios querem “grana”, Money talks!

Portanto, se um filme é mal dirigido, mal produzido e os atores que nele trabalharam atuam no automático, não há divulgação que segure a parada.

A bola da vez é “Jogos Vorazes”, o filme baseado na obra de Suzanne Collins, que está em cartaz nos cinemas. Eu ainda não li o livro, mas assisti o filme e abaixo aponto o que me desmotiva a encarar a publicação, que no Brasil ficou a cargo da editora Rocco.

O filme é simplesmente uma tragédia. Nem os ótimos Elizabeth Banks e Woody Harrelson, nem mesmo o veterano Donald Sutherland ou o novato (e queridinho da América) Josh Hutcherson conseguiram segurar este, que é para dizer o mínimo, um filme medíocre.

O clima desnecessário de videoclipe, compromete o resultado final. Algumas cenas são praticamente uma colagem bizarra de imagens tremidas, principalmente as lutas. A fotografia também é incompetente, chapando à todo momento a câmera na cara da protagonista, que não é nenhum Robert DeNiro, Clint Eastwood ou Merryl Streep no quesito "caras e bocas". Quanto ao figurino dos burgueses da Capital, exageradamente colorido, temo que foi assim desenvolvido para agradar aos fãs de desenhos japoneses e não aos de ficção científica (Woody Harrelson de peruca ficou algo indescritível, de tão ridículo). Enfim, é um emaranhado de erros superestimado pela publicidade envolvida e o fandom de retardardos de sempre...

O filme é uma mistura bizarra de "O Sobrevivente" (com Schwarzenegger), "Highlander" (Só pode haver um...) e Mortal Kombat (... homens e mulheres mortais podem salvar o mundo, ou o distrito). Jennifer Lawrence é a cereja desse bolo decrépito, com sua atuação inépta.

Além do mais, Gary Ross, diretor e roteirista, adaptou a estória de forma que só quem leu o livro que deve entendê-la. Como não o li (e o filme faz uma péssima propaganda) admito que demorei um pouco a entender a trama. A pior parte do filme é a parte em que os protagonistas decidem dar uma de Romeu e Julieta, sinceramente, aquilo terminou de forma tão babaca que até agora eu não consigo entender como tem tanta gente que curtiu esse filme, com base no que ele tem repercutido na internet.

E de quem foi a idéia de por no elenco o Lenny Kravitz? Putz!

Se alguém me disser que comprou o livro (meu sobrinho, que o leu, me disse que é bom, mas ele é adolescente e não conta) por causa deste filme que deixe nos comentários seu testemunho, que eu direi “eles existem”...

Eu não vou comprar.

Rock on!
Marlo George, é músico, escritor e gostaria que o inverno chegasse logo pois “está muito quente no Rio de Janeiro”...

2 comentários :

  1. Você está louca? Esse filme é muito bom (e olha que sou extremamente chato e é muito raro que eu ache um filme bom). Ainda não li aos livros, mas quero, muito, muito mesmo lê-los. E tudo por causa do filme.

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  2. Pelo trailer, não tive a menor vontade de ver o filme. O que não me deu votnade de ler o livro.
    Mas uma amiga minha leu o primeiro livro, disse q é legalzinho, mas q precisa abstrair alguns "detalhes": como o fato de que se deve ignorar que não existe outros países ou terras além do que a autora descreve. Ela não comenta sobre isso, e cabe ao leitor abstrair.
    Enfim... Talvez algum dia eu LEIA, mas dificilmente ASSISTA.

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