Gibi Review #03: "Folheteen", de José Aguiar

"Mas, pior do que ser adolescente... É ser 'TEEN', isso sim!"

Capa por José Aguiar

Titulo: Folheteen
Autor: José Aguiar (História e Arte)
Formato: 21,0 cm X 28,0 cm
Capa: Cartão 250g, laminação fosca
Estrutura: 48 págs coloridas em papel couchê 115g

Editora Devir

Resumo bobo da história: Malu, a protagonista, é uma adolescente que abomina o rótulo de teen e, consequentemente, todos ao seu redor. Mas nem por isso deixa de ser um deles. Suas atitudes, críticas e implicâncias são, para seu desespero, as mesmas de qualquer pessoa comum. No livro, acompanhamos suas paixões platônicas, seu sarcasmo e ironia diante da vida que leva. Seja diante dos amigos ou família.


Trecho: "A melhor coisa que fiz hoje foi trazer este livro. Tenho há anos e nunca li. Mas sempre funciona... Quando tenho de despachar os 'legais'. E, definitivamente, não há nada pior do que ser legal por aqui. OK. Sou chata, sim. Mas veja bem... Eu só acho que, para sobreviver em sociedade, não preciso ser parte ativa dela. Ainda mais na minha idade... Sabe como é."

 
José Aguiar e Kal J. Moon
durante o evento Rio Comicon 2011

Resenha: Em outubro de 2011, tive a oportunidade de conhecer José Aguiar durante o evento Rio Comicon.  Já conhecia seu trabalho com o personagem "O Gralha" (um super-herói curitibano cheio de humor e simpatia), além, claro, das suas obras publicadas na Europa. Mostrei meu trabalho - até então não publicado - e falei de minha completa insatisfação por não poder comprar Folheteen por conta do preço absurdo que era cobrado no evento - uma vez que não encontrei antes nas muitas livrarias que visitei. Ele, muito solícito, pediu à vendedora para que verificasse em seu cadastro pois o preço estava completamente fora do padrão - costumava custar em torno de R$ 19,90 e estava custando mais de cinquenta reais, só pra terem uma ideia. Enquanto conversávamos sobre projetos para fora do país com histórias em quadrinhos, a vendedora voltou dizendo que havia sido realmente um erro e que o preço correto era o que tínhamos informado. Aguiar me perguntou se agora não dava pra comprar e eu disse que, infelizmente, tinha gasto todo meu dinheiro em outro produto mais barato mas que não faltaria oportunidade para que nos encontrássemos novamente e ele pudesse autografar meu exemplar.

Tira de "Folheteen", por José Aguiar
 Embora essa introdução pouco ou nada tenha a ver com o que falarei dessa publicação, serve pra mostrar que José Aguiar é diferente de muitos artistas do meio quadrinhístico. Até mesmo no tratar. E sua Folheteen também é muito diferente do que muita gente está acostumada a ler quando falamos de histórias em quadrinhos. Isso porque é completamente impossível não se identificar ou não se apaixonar pela protagonista Malu ao ler esta obra. Todo mundo conhece alguém assim - ou até É assim - e a empatia com a personagem e seu jeito de pensar é imediata.

A busca de Malu em achar um amor, lidar com os problemas familiares, tentar se lembrar quem foi que ela beijou naquela festa quando estava bêbada, lidar com cantadas ruins, bem, atingem a qualquer mulher em qualquer idade. Como na vida real. E como eu gostaria de ver um desenho animado com essa personagem, todos os dias e poder acompanhar sua jornada, rir e me sensibilizar com problemas seríssimos em forma de piada ou reflexão...

O material de Folheteen, que serviu de inspiração para este álbum, foi publicado em tiras semanais, em 2001, nos jornais curitibanos Gazeta do Povo e, no ano seguinte, no Jornal do Estado, no qual foi publicado até 2005. Neste mesmo ano, venceu o Concurso Internacional de Quadrinhos do SENAC-SP. E continua muito atual, mesmo tendo sido publicada em 2007...

Tira de "Folheteen", por José Aguiar
Mesmo que muita gente ache que possa vir encontrar diálogos parecidos com programas para adolescentes exibidos nas grandes redes de TV aberta - me recuso a citar qualquer um deles neste nosso espaço de lazer -, garanto que podem experimentar sem medo pois o material aqui é de muito bom gosto.  
E sobre a arte... Ah, é muito interessante ver o traço anguloso e preciso de Aguiar trabalhando a favor do roteiro de forma conjunta, sem trucagens, sem muletas, sem firulas. Simples, direto, eficaz e funcional. A cor também ajuda a entrar no mundo de Malu e companhia, com tons leves e divertidos.

Se você nunca leu uma história em quadrinhos na vida, sugiro começar por essa. É perfeita pois tem começo, meio e fim. Uma personagem cativante. Ótimo texto e arte estupenda. E te dá vontade de ler mais - o que pode ser feito visitando o blog do autor clicando aqui ó ...

Ou seja, não perca tempo e compre djá!

Kal J. Moon ainda não sabe o que vai ser quando crescer. Só sabe que não quer ser adulto de jeito nenhum...

Trilha Sonora: "Everlong" (Foo Fighters)

1 comentários :

  1. Não sei... Hóme relatando as crises femininas... Só pode ser photoshop...

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