Gibi Review #02: "Jonah Hex Vol. 6 - Balas Não Mentem"

Mais rápido do que uma bala...!

Capa da edição nacional
por Darwin Cooke
Título: Jonah Hex Vol. 6 - Balas Não Mentem 
Autores: Justin Gray e Jimmy Palmiotti (texto), Darwyn Cooke, J.H. Williams III, Jordi Bernet, Rafa
Garres, Paulo Siqueira e Mark Sparacio (arte)
Formato americano (17 x 26)
Capa cartão / 148 págs (Reúne as edições de Jonah Hex 31-36) / Editora Panini Comics

Resumo bobo da história: Nessas seis aventuras vis e contundentes, Hex é mais do que um homem – é uma força da natureza. Esteja ele lutando contra lobos na vastidão gelada do Canadá, se envolvendo em assuntos do coração no México ou jogando uma partida mortal de gato e rato com um misterioso ladrão de banco, nada pode impedir Jonah Hex de pegar sua presa. O que todos devem entender é que se Jonah é contratado para receber uma recompensa por alguém, a pessoa pode se considerar morta, porque as únicas coisas em que Hex confia são as armas em suas mãos. E para aqueles que são burros o bastante para enganá-lo… Bem, eles logo vão conhecer de perto as balas do caça-prêmios desfigurado!

Trecho: "- Aqui estou eu, completamente sozinha no deserto, prisioneira... E meu irmão, que tem tanto medo de que se aproveitem de mim na cidade, me deixou com um homem que prefere me bater a me levar pra cama.
- Cê não é uma mulher, é uma criança. Aja como uma ou vou te dar uma surra! Agora, fica longe de mim antes que eu te amarre numa cadeira!
- Promete?"

Resenha: Vocês até gostam de ler histórias em quadrinhos mas quando vão à banca de jornal não sabem o que escolher dada a grande variedade de títulos e gêneros? Então, que tal um faroeste na melhor medida? Jonah Hex oferece uma das melhores histórias da atual safra de quadrinhos sobre o tema, com um personagem que deveria ter sido interpretado no cinema por Clint Eastwood, sem medo de errar. Em alguns trechos das histórias, parece que vemos o veterano ator e diretor interpretar cada cena.

Mas quem diabos é esse personagem que tantos adoram?

Bem, Jonah Hex é um mercenário, caçador de recompensas e tudo o que o dinheiro puder pagar. Usa de vez em quando um uniforme dos Confederados porque já foi um. Tem metade do rosto queimado e muitos temem só de ouvir seu nome. E sempre acaba se metendo em encrencas, mesmo quando tenta fugir delas. E, sim, mesmo sendo um homem detestável, tem sempre alguma mulher atrás dele por onde quer que vá.

Os roteiros dessa edição lidam com temas tão polêmicos quanto racismo, cobiça, amor proibido e, claro, vingança. Porque quando alguém tem a insensatez de tentar ludibriar Hex, ele se vinga.

Destaco duas histórias como exemplo do que se pode chamar de "vingança Hexiana"...

A primeira é na história "O Matador", onde Jonah é contratado para matar o homem que foi amante da esposa de um figurão no México. Numa reviravolta nada surpreendente, Hex acaba capturado pra ser morto e é salvo justamente pelo homem que deveria matar. E é dessa história que extraí o hilário diálogo entre Chula (a irmã do matador do título) e Hex. De rolar de rir mediante a situação.

A segunda e mais dramática, na história "Sete Covas a Sete Palmos" é quando Hex só quer saber onde fica o caminho para a cidade e resolve perguntar a uma mulher negra que lava sua roupa à beira do rio. Ela se assusta com o uniforme dos Confederados que Hex usa e cai nas turbulentas águas. Hex tenta salvá-la, em vão. Outros homens negros chegam ao local e acham que Hex a matou, resolvendo descontar séculos de escravidão de uma vez só. O que acontece em seguida é digno dos melhores filmes sobre o assunto. Você se sente "vingado" com o que acontece no fim da história, ainda que não seja um sentimento muito bom de se sentir...

Curiosamente, mesmo possuindo boas histórias, esta edição é a que tem o nível mais irregular de qualidade
de roteiro e arte em comparação às anteriores. A primeira ("O Máscara Vermelha") tem desenvolvimento
sofrível e arte inadequada do brasileiro Paulo Siqueira (que já trabalhou em "Aves de Rapina"), em que todos estão, de alguma forma, "posando" ao invés de contar isso de uma forma melhor visualmente. Na já citada "O Matador", texto e arte (de Jordi Bernet) estão em sintonia, promovendo uma sensível melhora, embora uma enxugada no roteiro fosse benvinda pra deixá-la menos longa com cenas desnecessárias.

Em "A Caçada", os maravilhosos desenhos de Darwin Cooke (que também assina a capa desta edição) são mal aproveitados numa história de narrativa quase literária e arrastada ao extremo, fazendo o leitor quase desistir de terminar de ler.

Já em "Fugindo da Própria Sombra", a ideia da história é muito boa, com Hex confrontando a si mesmo e resolvendo viver em paz e isolado, afastado dum vilarejo vizinho, deixando de lado a vida mercenária. Mas as coisas começam a dar errado quando uma jovem mulher tenta se aproximar sentimentalmente dele. A arte de Mark Sparacio é imprecisa, acadêmica em excesso, com erros brutais de narrativa e de anatomia, o que compromete o resultado de algumas cenas.

Entretanto, o ponto alto da arte está mesmo nas duas últimas histórias.

Em "Uma Proposta Grosseira", o artista J.H. Williams III (que fez "Promethea", em parceria com Alan Moore) mostra porque é um dos melhores do ramo. Durante um tiroteio em que está ajudando o xerife duma pequena cidade, Hex praticamente vira um exército de um homem só e acaba vencendo o embate. Como gesto de agradecimento, o xerife o leva pra sua casa com a desculpa de que o dinheiro do pagamento será pago no dia seguinte. Sua esposa já havia preparado o jantar e por que não comer e dormir num lugar tranquilo por uma noite? Mas nada é tão simples e nunca é o que aparenta... As cenas do tiroteio, cortadas, fazendo com que nos perguntemos o que está de fato acontecendo para só então revelar seu objetivo são um achado em termos visuais. Em determinadas cenas, Hex tem delírios e os quadros, com ponto de vista em primeira pessoa, refletem isso e temos uma ideia do que ele sente e vê!  
 
Ilustração por Rafa Garres

Já na anteriormente citada "Sete Covas a Sete Palmos", a soberba arte aquarelada de Rafa Garres surpreende pois não é exatamente o que se pode chamar de bonita mas funciona perfeitamente, servindo o tempo todo ao roteiro, como uma boa história em quadrinhos deve ser, sem estrelismos. E é mesmo muito curioso como TODOS parecem feios desenhados por ele...

Enfim, se você procura fugir da mesmice, aconselho ir à banca mais próxima e reservar sua edição. Eu não queria estar na sua pele se você perder mais essa oportunidade de se divertir com a chamada nona arte...

Kal J. Moon é um mercenário que aceita trabalhar em troca de rosquinhas sabor banana com canela...   






Trilha Sonora: "The Man Too Strong" (Dire Straits)

4 comentários :

  1. Jonah Hex está muito bom!
    Bom post sobre o assunto, é um dos títulos novos da DC que eu seguo com muito prazer!

    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Eu gostava do JH q saía na Verego. Andei lendo umas histórias mais recentes e achei mto Tex pro meu gosto, com ele resolvendo as situações e saindo intacto pq é fudido, nada mais e nada menos. Não escapa de um tiroteio pq é mais rápido ou esperto, ele é fudido. Não resolve as situações pq entende os costumes indígenas ou tem domínio do terreno, ele é fudido e isso basta. Esse tipo de roteiro cansa mto rápido, espero q as histórias q vc está resenhando não sigam a mesma linha.

    ResponderExcluir
  3. Fala, Bongop! Eu fui meio desconfiado com esse título e até pensei que não daria em nada por conta do filme que estava saindo no começo do ano passado... Mas acabei me surpreendendo... É um título que aguardo ansiosamente...

    ResponderExcluir
  4. E aí, Paulão... Em alguns números, acontece exatamente que vc falou... Mas nesta edição é, talvez, a que ele mais se arrebenta e escapa por quase um fio de cabelo de distância... E tem também a questão do dilema moral do que acontece ao seu redor e, como vc bem sabe, ele tá pouco se lixando pro que o restante pensa do que ele faz... É uma edição, como eu disse na resenha, irregular em matéria de roteiro. Tem algumas ideias boas, algumas ótimas histórias, mas umas mal desenvolvidas... Vale a pena mas não vai mudar a vida de ninguém e nem virar um clássico. Diverte!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...