Resenha Gibi Review #01: Criminal - Lawless de Ed Brubaker


Criminal, Criminal... É bom porque todo mundo faz mal!
Capa da edição nacional

Título: "Criminal - Lawless"
 Autores: Ed Brubaker (roteiro), Sean Phillips (arte) e Val Staples (cores)
Editora: Panini Books
Formato: 134 páginas – Lombada Quadrada – Capa dura (Encadernado com a publicação dos números 06 a 10 da série)

Resumo bobo da história: Tracy Lawless fugiu da violência de seu bairro alistando-se no exército. Depois de vinte anos nos desertos do Iraque e do Afeganistão, ele está de volta às ruas de sua infância para descobrir quem matou seu irmão, Rick... e fazer o culpado pagar. Para atingir seu objetivo, Tracy se embrenha no submundo criminoso frequentado por Rick, numa aventura que o lançará numa espiral de ódio muito parecida com as guerras que travou. 
Trecho: "(...) Hyde estava certo a respeito da família. É impossível fugir dela... Mesmo quando não resta mais ninguém pra ser deixado pra trás (...)"
Resenha: "Não existe honra entre ladrões", já dizia um sábio ditado. E Tracy Lawless descobre isso da pior forma... Ler uma história onde todos são ruins até o osso e aquele que pode ter algum tipo de decência também é aquele que detesta o que faz e para quem faz torna este quadrinho muito especial. Principalmente, se você está - como eu - afastado do mundo colorido e caro das publicações da arte sequencial para adultos. Sim, pois "Criminal - Lawless" vem com a classificação indicativa "Desaconselhável para menores de 18 anos".

Estamos falando de violência, sexo, palavreado de baixo calão, referências às drogas lícitas e ilícitas. Exatamente como num filme de ação. Exatamente como algo que crianças de nenhuma idade deveriam ter contato.  Tracy é um ex-militar que acabou de sair da corte marcial e recebe a notícia de que seu irmão mais novo foi assassinado. Ele quer vingança. Mas não como num filme do Steven Seagal. Não como os pulp fictions de antigamente. Estamos no século 21 e precisamos saber que língua se fala agora quando tratamos de estratagemas dignos de "O Conde de Monte Cristo".

Nosso protagonista - porque aqui não existem heróis - descobre que seu irmão fazia parte dum bando de ladrões e um deles o matou. Mas como descobrir quem foi se não infiltrar-se no meio deles? Ninguém em sua cidade natal reconhece Tracy após todos os anos em que esteve fora. E ele usará isso a seu favor. Custe o que custar. E vai custar caro... Mas, afinal, o que faz esse título tão diferente de todas as histórias policiais que já assistimos, lemos ou jogamos? Duas palavras: Ed Brubaker! O autor cria diálogos e narrativas com uma precisão cirúrgica, dizendo "verdades de botequim" como se estivesse munido de uma metralhadora giratória. A diferença é que ele SABE como fazer isso parecer muito natural, como se estivéssemos "ouvindo" cada frase in loco, participando da trama, passeando por sua mente.

Brubaker não só conta sua história de crime como faz um profundo estudo da alma humana, sem psicologismos baratos ou erudição desnecessária, mas sim através de uma benvinda análise e observação de gestos, ações e consequências de atos contraditórios. Não devemos ler uma história dessas e simpatizar com alguém que mata por puro prazer. Mas Brubaker torna isso possível sem apelar pra violência gratuita, como muitos fazem por aí. Tudo em sua história faz a mesma mover-se de acordo com o que planejou desde o início. Feito o dever de casa, resta-nos a diversão, os muitos sustos e a certeza de que nada será como antes quando chegarmos ao final dessa jornada... 

A arte dessa história em quadrinhos é assinada pelo soberbo Sean Phillips, que já trabalhou em "Zumbis Marvel" e "Wildcats". Mas foi nessa série policial que ele encontrou o traço adequado e mostrou todo seu talento com esses caras maus, esses carros envenenados, esses cenários sujos, essa cidade cinzenta, esse... "universo em eterno desencanto". Cada quadro parece um fotograma dum filme não realizado - não a toa, a série está em pré-produção em direção a um cinema perto de você.
Capa original da edição nº 7

Como “extras”, temos uma introdução de Frank Miller (autor de Sin City) e a reprodução das capas originais de cada edição. Mas confesso que não faria falta alguns esboços e bastidores de produção.

Resumindo: COMPRE URGENTE!!! Não vai se arrepender de se deliciar com este roteiro cheio de reviravoltas, emoções e algo que a vida esqueceu de nos ensinar. Porque a vida é somente o que fazemos enquanto estamos ocupados com outras coisas...

Dica de Trilha Sonora: "Call Me, Call Me", do anime "Cowboy Bebop".

 

E lembrem-se: Sexta sim, sexta não, é dia de quadrinhos aqui no A.I.L... Abração carioca!!! 



4 comentários :

  1. Ficou sensacional...! Teremos surpresas na próxima atualização... Aguardem!!!

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  2. Ele era um Ranger? São os rangers dos EUA q têm como princípio nunca abandonar um companheiro né? Ou são os marines? De qqer forma, a consideração sobre não restar ninguém pra deixar pra trás parece com esse lema de alguma das armas dos EUA. Seria surpresa se no fim das contas ele percebesse q só restou ele pra trás?

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  3. Cara, se eu te responder isso, vou contar um baita spoiler sobre a história... Mas é surpreendente o final... Recomendo ler pq trás uns feedbacks sobre o exército norte-americano bem interessantes...

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